O EQUÍVOCO DA ‘CURA’

O sortilégio da Cura, a magia que o termo concentra, sempre despertou o imaginário da Humanidade, atravessando diagonalmente a sua história.

Com enfoque no ‘Xam㒠- fosse ele designado (mesmo por) xamã, feiticeiro, druida, bruxo, sacerdote, ou mesmo médico -, desde sempre os diversos grupos sociais lhe reconheceram um dos papéis sociais mais relevantes no seu seio, papel este que existiu inclusive quando aqueles eram vítimas de perseguição por parte dos poderes instituídos e, por falar nestes, quando os xamãs não eram deles vítimas, conseguiram um reconhecido - e muitas vezes assumido - ascendente que se traduziu em Poder, acabando por ser, por isso, veículos de manipulação de massas.

Com a elevação do sistema energético Terra/Humanidade, decorrente da Convergência Harmónica - onde a Humanidade decidiu realizar a Ascensão de uma forma nunca experimentada neste Universo -, tem o Homem tido acesso a patamares energéticos de há muito ‘bloqueados’ a esta realidade tridimensional, o que tem permitido um aumento da capacidade individual de conexão com o ‘outro lado do véu’ e, paralelamente, um aumento das pessoas de tal capazes.

Paralelamente, no passado recente das civilizações e culturas atuais, subsistem práticas arreigadas à (até agora, quase) única forma de contato multidimensional “possível”: o acesso a alguns dos diversos níveis do chamado “Astral”, em muitos casos constituídos por seres tão prisioneiros quanto nós no atual sistema energético Terra/Humanidade - e digo prisioneiros, porque este foi até agora um sistema energético bloqueado, hermético, que denominou “Barreira de Frequência”, barreira energética que nos tem confinado e que impedia a nossa ligação à verdadeira Luz da Fonte, havendo muitos casos em que falsos ‘seres de luz’ ludibriaram e ludibriam pessoas, na sua ânsia de descoberta e contato com o ‘outro lado do véu’. A esmagadora maioria destes contatos consistiram em rituais - sim, a Velha Energia -, transações mercantilistas de trocas de favores pessoais com o fito do que se chama atualmente “sucesso pessoal” nesta dimensão, onde tudo, mesmo TUDO, incluindo a aniquilação do Inimigo/Adversário/Estorvo é “aceitável”, conquanto o remova do caminho do queixoso (este, claro, um cliente assíduo da vitimização); alguns dos rituais eram mesmo celebrados com seres que nem existiram - ou já não existem - neste campo vibracional, fruto de muitos equívocos, não passando esses seres de hologramas criados pelo inconsciente coletivo, o que não lhes retira o Poder, a energia, cedida por quem os fez…

Há muito, ou melhor, há muitos que nesta ‘Nova Era’ estabeleceram como objetivo [que, embora dito espiritual, é todavia ‘traído’ pela “génese” da palavra: ‘objetivo’ ou, seja objeto, s.m., que significa (i) Tudo o que é exterior ao espírito, (ii) Coisa, (iii) Assunto, matéria, causa, motivo (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, http://www.priberam.pt/ )] passar a ser quase “vital” conseguir uma ‘progressão espiritual’ - o que quer que isto queira dizer - alicerçada na obtenção de reconhecimento (de outrem) de conseguir curar. Ou seja, qualquer coisa do género “Eu curo, portanto, eu sou mais espiritual do que tu”. Ou seja, TER PODER de cura, o que nos reporta à antítese do que é a verdadeira Espiritualidade - o ‘Ter’ em vez do ‘Ser’, o ‘Poder’ em vez da ‘Humildade’ -, mas que é explorado até à exaustão por muitos “gurus de pacotilha”, nomeadamente na vertente financeira…

Mas tenhamos presente que várias entidades “acima de qualquer suspeita” avisam que NINGUÉM CURA NINGUÉM. Sucede, sim, que quem ajuda (normalmente no “corpo” do terapeuta) é um veículo das energias do Universo no sentido do equilíbrio energético do paciente.

Por mero exemplo, atente-se a uma frase de Osho: “Se você olhar para fora, você não perceberá. Simplesmente feche os olhos e sempre olhe para dentro. A origem de toda a infelicidade, da raiva e da angústia, está oculta dentro de você, é o seu ego. E se você encontrar a origem, será fácil ir além dela.”

Os desequilíbrios energéticos, ocasionados pela nossa não-aceitação de nos confrontarmos com as lições a que nos propusemos passar nesta vida - que têm como propósito ensinar-nos o que ‘não queremos aprender’ e que são expressas geralmente nas fobias e medos que nos acompanham, nas formas de raiva, vergonha, culpa, etc. -, vão-se acumulando, ao longo da vida, nos nossos copos subtis, acabando por “descarregarem” no corpo físico. A doença é, na grande maioria das vezes, fruto desses desequilíbrios e pode vir o ‘mais pintado’, proclamando a autoria das maiores curas, que estas só serão efetivas e duradouras com a determinação do “paciente” em querer mudar. Só que a prática diz-nos que as verdadeiras mudanças, difíceis, são adiadas por nós, reforçado pelo nosso estado de negação, o que leva o Universo a trazer-nos a Perda, como tratamento choque para nos tornar receptivos à mudança.


NINGUÉM SE ENCONTRA POR ACASO