DOY, uma mulher de MALDEK

“Antes que o povo de meu mundo (Maldek) os apunhalasse com o garfo da ilusão, o elohim tocou suas harpas de fogo e cantou a beleza de seu mundo e de sua devoção ao plano divino do Criador de Tudo Aquilo Que É. Que o véu que fizemos cair sobre suas mentes seja em breve erguido e tirado de vocês para sempre pelo vento que está agora se elevando das profundezas da eternidade. Sou Tob-Vennit de Maldek

DOY na ÁFRICA E OS BORMIANOOS TELEPATAS

Quando chegamos à África, descobrimos que ela era habitada por grande variedade de povos. Alguns eram tão primitivos mentalmente que nós, benfyvees, apenas os considerávamos um tipo de criatura que talvez fosse bom para comer. Foi a primeira vez durante nossas viagens em que nos armamos para nos proteger. Já no primeiro dia de nossa chegada na África, avistamos espaçonaves do estado aberto voando por ali constantemente, dia e noite. Não era raro encontrar até cinco desses veículos pousados no solo. Sempre que aparecia um disco negro da Federação, era evidente a ausência dos outros tipos de espaçonaves.

Demos com quatro homens loiros vestidos de mantos verdes idênticos. Eram telepatas e falavam nosso idioma benfyvee. Sem que se fizessem apresentações, dirigiram-se a vários de nós usando nossos nomes. Disseram-nos que eram gente do estado aberto, vinda de um planeta chamado Borm e conseguiam tolerar apenas até certo ponto a Barreira de Freqüência. Contaram que estavam na Terra para realizar certos estudos biológicos e geológicos em nome da Federação. Disseram também que só teriam de partir da Terra várias semanas depois de nosso encontro, pois calculavam que aquela altura começariam a sentir-se mal. Pediram e receberam nossa permissão para examinar fisicamente os quatro jovens masemor que trouxéramos conosco de Miradol (Teotihuacán). Foi com os bormianos que ficamos sabendo que as duas meninas masemor estavam grávidas.

Os bormianos achavam a coisa mais natural do mundo derrubar um humano primitivo à força de dardos tranqüilizantes, examiná-lo, e então deixar o espécime dormindo até acabar o efeito da droga, ao despertar encontrava a seu lado um pacote de doces vitaminados contendo vários tipos de medicamentos. Nós, benfyvees, a pedido dos bormianos, doamos amostras de nosso ADN. Um dia depois, disseram-nos que todos em nosso grupo eram darmins maldequianos, menos eu, que era um quain maldequiano. Ouvíramos a história da destruição de Maldec de nossos pais, que tinham recebido telepaticamente as informações de gente do estado aberto.

Mas esta foi a primeira vez em que ficamos sabendo que nossa ascendência de ADN mais antiga se iniciara no planeta Maldec. Ninguém, exceto eu, reagiu com sentimentos hostis ao ouvir isso. Percebendo meus sentimentos, um dos quatro bormianos veio me confortar. Acalmou-me tanto com palavras físicas como mentais. Quando nos despedimos, sentia-me novamente bem. Antes de se voltar para ir embora, ele disse: “Desejo-lhe sucesso, Doy de Maldec, agora na pessoa de Tamta dos benfyvees. Espero que o Criador de Tudo Aquilo Que Existe a abençoe durante esta vida e todas as suas vidas ainda por vir

Quando chegou a hora de os bormianos irem embora, convidaram-nos a comparecer a sua partida. Viajamos aproximadamente 32 quilômetros, desde o lugar em que nos encontramos com os bormianos pela primeira vez até um local onde encontramos uma plataforma de pedra circular de cerca de 2 metros de altura e 23 metros de diâmetro. Dentro de três horas um disco negro exibindo marcas chamuscadas na fuselagem aterrissou na plataforma. Os bormianos envergavam trajes com chapas transparentes. Antes de entrar na nave, um deles disse: “Desejamos-lhes sucesso. Tomem cuidado com os que operam as espaçonaves triangulares que trazem o símbolo de um homem com um braço quebrado.” À medida que o pássaro negro lentamente se erguia da plataforma, fiquei pensando em como seriam realmente os mundos do estado aberto. Quando a espaçonave subitamente desapareceu de minha visão, senti uma profunda sensação de solidão.

VOLTANDO PARA “CASA” NO EGITO

Cerca de dois anos depois, viajamos rumo ao norte para a terra atualmente chamada Egito, na época denominada “Ethromal, a terra das pirâmides”. Quando chegamos às pirâmides, fomos recebidos por nosso grupo que explorara o país ao leste, atualmente chamado ÍNDIA. Tinham chegado apenas alguns dias antes de nós. Nós, dos benfyvees, adorávamos o país de Ethromal e as antigas edificações que salpicavam sua paisagem. O leito do Nilo era várias centenas de metros mais profundo do que hoje, de modo que o planalto arborizado (hoje um deserto com areias) no qual localizavam-se as pirâmides elevava-se proporcionalmente acima do nível do rio.

Decidiu-se quase imediatamente que encontráramos o lugar para onde todos os benfyvees deveriam emigrar. Começamos a construir uma cidade a oeste das pirâmides e enviamos uma mensagem a nossos navios ancorados no sul longínquo. A mensagem contendo uma descrição histórica de nossa longa viagem e de nossa decisão de morar permanentemente na terra de Ethromal seria levada de volta à nossa pátria pela frota. Sabíamos que poderia demorar até seis ou sete anos para vermos mais emigrantes de nossa terra.

Como tantos que vieram antes e depois de nós, ficamos maravilhados pelas pirâmides. Passávamos muito tempo tentando descobrir um modo de entrar em seu interior sem danificá-las. Um rude, mas pacífico, grupo de caçadores percorria as florestas e pescava nos numerosos lagos na época existentes nas imediações das pirâmides. Com o tempo, passamos a negociar com os brutos que, na presença de uma mulher benfyvee, se comportavam como filhotes. A população local somava aproximadamente 9 mil pessoas; o que de mais próximo tinham de uma religião era a adoração dos deuses que por lá voavam no ventre dos pássaros de metal. Ficaram muito surpresos quando descobriram que não caíamos de joelhos como eles toda vez que uma espaçonave do estado aberto passava voando acima de suas cabeças.

A primeira onda de cerca de 20 mil emigrantes benfyvees começou a chegar quando prevíramos. No prazo de um ano, muitos de nós adoeceram gravemente e começaram a morrer. Não adoeci imediatamente; vivi para ver meu filho e depois meu marido falecerem. Os sintomas de sua enfermidade, assim como da minha, eram, no princípio, semelhantes aos da malária, seguia-se paralisia, acompanhada no fim por ataques convulsivos. Pouco antes de passar a sofrer os ataques que acabaram por me matar, lembro-me de fitar a Grande Pirâmide. Oscilava entre o ódio por ela e o desejo de tornar-me uma parte amorosa dela e compreender tudo o que representava. Toda vez que sentia ódio pela pirâmide, uma voz que parecia emanar de sua forma sagrada sussurrava suavemente: “Descanse, Doy de Maldec. Saiba que a amo. Sou o Criador de Tudo Aquilo Que Existe.”

RARLA DE ROMA

Nasci no ano LI (51) para Vadius Gromius e sua mulher Aprela na cidade de Roma. Deram-me o nome de Rarla. Meu pai era armeiro da Guarda Pretoriana de elite do imperador Tibério. Também exercia as funções de agente do correio da guarda, providenciando a entrega de cartas pessoais dos soldados a suas famílias e amigos. As cartas endereçadas a qualquer soldado eram primeiro entregues em nossa casa antes de serem levadas ao palácio imperial três vezes por semana por meu pai.

Éramos considerados uma família rica porque possuíamos cerca de 18 escravos. Apenas seis eram homens que trabalhavam para meu pai em sua oficina de fabricação de armaduras e armas. Os outros seis escravos eram meninas que trabalhavam dentro de nossa casa. Aprendi a ler com minha mãe, que aprendera com sua mãe antes dela. Eu adorava observar o preparo de comida, mas eu mesma nunca tentei cozinhar. Era sinal de aristocracia a mulher recitar receitas de pratos que haviam provado e a cujo preparo tinham assistido. Eu desejava tanto ser uma dama aristocrática e percorrer Roma numa liteira, observando o que se passava nos vários mercados.

Como presente de décimo quinto aniversário, meu pai providenciou a realização de meu sonho. Arranjou para que minha mãe, ele e eu fossemos carregados numa liteira de um extremo a outro de Roma num giro completo. Foram necessários todos os escravos que ele possuía ou conseguiu emprestar para executar tarefa tão hercúlea. Guardas montados a cavalo, que tanto conduziam os carregadores da liteira como tiravam de nosso caminho os pedestres, mandavam escravos que seguiam correndo substituir os que estavam a ponto de desmaiar. Fiquei sabendo depois que esta excursão de liteira através da cidade era objeto de uma grande aposta feita por meu pai com alguns de seus amigos. Também descobri depois que, semanas antes da “grande corrida de liteira,” todo homem livre e todo escravo de Roma que tinha meios estava apostando se a liteira alcançaria ou não seu pretendido destino a tempo.

Meu pai ganhou a aposta, e para comemorar levou-me (minha mãe não quis ir) no dia seguinte a uma luta privada de gladiadores. Logo descobri por que mamãe não quis assistir tal competição. Novamente foram apostadas grandes somas de dinheiro no resultado das contendas. Três pares de homens lutaram uns com os outros até a morte. Até mesmo os três vencedores ficaram muito feridos. Como recompensa por sua vitória, foram mortos por setas vindas da platéia. Naquela noite bebi vinho até desmaiar.

O imperador Tibério tornara-se recluso, residindo na ilha de Capri. No ano 28 dC eu contava 17 anos quando, subitamente, foram convocadas novas tropas da Guarda Pretoriana para substituir seus colegas que protegiam o imperador em Capri. A ordem repentina fez com que grande volume de correspondência e armadura não fosse entregue. Esse fato tornou necessário que meu pai fosse a Capri para entregar a correspondência e toneladas de objetos pessoais deixados para trás pelos soldados substitutos.

Todo o pessoal de nossa casa, inclusive os escravos, saíram de Roma e foram a Capri. Meu pai notou que, no trajeto de nossa viagem, nunca encontramos nenhum dos pretorianos substituídos marchando de volta a Roma. Quanto mais nos aproximávamos de Capri, mais encontrávamos grandes grupos de legionários (soldado de linha romano). Nossos carregamentos de correspondência e armaduras foram revistados muitas vezes antes de recebermos permissão para prosseguir.

Este mistério foi solucionado quando o capitão do navio que nos levaria à ilha de Capri contou a meu pai que uma grande força militar liderada por um nobre romano realizara um atentado contra a vida do imperador. A maior parte da Guarda Pretoriana do imperador foi morta defendendo-o. Os assassinos invasores foram derrotados quando uma guarnição de legionários de linha baseada no continente veio para socorrer o imperador. A princípio ordenou-se que o atentado contra sua vida fosse mantido em segredo, mas a notícia acabou vazando.

Em Capri apenas uns poucos integrantes da guarnição pretoriana original ainda estavam vivos, e sua coragem fez com que o imperador os promovesse a oficiais. Entre esses oficiais recém-promovidos havia um jovem chamado Geonius. Pouco mais de um ano depois (em 30) ele se tornaria meu marido. Minha vida em Capri começou quando o imperador encarregou meu pai que era o mestre dos escribas que copiassem à mão centenas de proclamações imperiais a serem despachadas e cuidassem de todas as mensagens que chegassem. Meu pai conseguiu esse trabalho porque o homem que o realizava antes dele fora morto na recente invasão malfadada.

No ano 32, eu tinha uma filha de um ano de idade a quem dei o nome de minha mãe. Foi nesse ano que Caio Júlio César Germânico, de 20 anos de idade, veio morar com imperador Tibério. Esse sujeito também era chamado Calígula. [O nome Calígula foi um apelido dado a ele pelos soldados de seu pai, Germânico César. Significa “coturno militar.” - W.B.] Embora Tibério tivesse ordenado a morte da mãe de Calígula, Agripina I, e de seus dois irmãos mais velhos durante um expurgo, Calígula caiu nas graças do velho imperador, que ainda tinha sentimentos de gratidão pelo apoio militar dado pelo pai de Calígula durante várias tentativas de golpe.

omo Calígula se parecia fisicamente com o pai e tinha seu nome, creio que esse fato o salvou do mesmo destino de sua mãe e irmãos. Quando Tibério morreu, Calígula proclamou-se imperador e começou a matar todos os parentes de Tibério que poderiam algum dia reivindicar o trono imperial. Alguns acreditavam que Calígula ficou mentalmente desequilibrado devido a uma enfermidade por ele sofrida em 37, mas garanto-lhes, esse sujeito sempre foi louco. Não há necessidade de recontar aqui as loucas, cruéis e horríveis torturas por ele ordenadas.

De fato, naquela vida meu pai era carinhoso com a família, mas exultava ao assistir a homens matarem-se uns aos outros em combates de gladiadores. Em 40, Calígula mandou decapitar meu pai, porque suspeitava que ele fazia parte de uma conspiração para derrubá-lo. Falsamente acusou meu pai de alterar o conteúdo de despachos militares por ele enviados a seus comandantes que estavam lutando no que é hoje a Alemanha. Como os alemães tinham derrotado os soldados romanos, que estavam seguindo as divinas instruções militares de Calígula (emitidas de boa distância), na cabeça de Calígula, a única razão possível para sua derrota era a alteração de suas ordens feita por alguém antes de elas serem despachadas. Desse modo, meu pai estava bem no topo da lista dos bodes expiatórios de Calígula.

Em 41 fiz trinta anos. Calígula tinha 29 quando meu marido, Geonius, juntamente com vários outros oficiais da Guarda Pretoriana, mataram-no a golpes de espada. A Guarda Pretoriana então proclamou o tio de Calígula, Cláudio 1, imperador do Império Romano. Cláudio não foi um governante tão ruim, mas o sucessor que escolheu era praticamente Calígula reencarnado. Seu nome era Nero. Nero era filho adotivo de Cláudio e filho de sangue de Agripina II (irmã de Calígula), a segunda de duas esposas de Cláudio. É verdade que quando Agripina teve certeza de que Nero sucederia a Cláudio, envenenou seu marido para apressar a coroação de Nero.

Nero tornou-se imperador aos 17 anos de idade, eu tinha quarenta e três. Minha filha de 23 anos de idade também casou-se com um soldado pretoriano e teve dois filhos. Nero, seguindo o conselho de sua mãe Agripina e do companheiro dela, Burrus, o prefeito (comandante supremo) da Guarda Pretoriana, ordenou que todos os soldados pretorianos que participaram do assassinato de Calígula fossem passados à espada juntamente com suas famílias. Agripina e Burrus não queriam que nenhum desses soldados tivessem a idéia de fazer a mesma coisa a seu fantoche, Nero.

Quando chegou minha vez de ser executada, olhei o rosto do jovem pretoriano pronto para me golpear com sua espada. Durante vários segundos, ele hesitou. Nesse intervalo seus trajes mudaram diante de meus olhos. Transformou-se num belo jovem loiro que levava nos dedos indicadores as cobras douradas dos krates maldequianos reais. Lágrimas lhe corriam pela face. Quando eu recuperei os sentidos meu carrasco pretoriano também estava derramando lágrimas. Quando sua espada atingiu-me, não senti nenhuma dor.

SAPEENA DOS SÊNECAS

Contarei a breve vida que passei na Terra como Sapeena dos Sêneca (tribo de índios norte-americana). Falo dessa vida porque foi a última que experienciei em seu planeta e a última vez que vivi sob a influência da antinatural Barreira de Freqüência.

Eu tinha aproximadamente sete anos de idade quando meu pai, Tartaruga Negra, foi para a guerra em companhia de nossos aliados casacas vermelhas, os britânicos. Isso aconteceu no inverno de 1775, durante a Revolução Americana pela independência. Meu pai nunca retornou daquela guerra e, em 1777, com idade de nove ou dez anos, morri numa saraivada de balas de mosquete ianques.

Éramos membros de uma divisão da tribo indígena norte-americana chamada Sêneca. Os sênecas eram uma das cinco nações integrantes da Liga lroquesa - formada pelas seguintes nações: Oneida, Cayuga, Onondaga, Mohawk e Sêneca. Essas nações tinham em comum culturas semelhantes e o mesmo idioma (iroquês). Nosso grupo de sênecas morava próximo às margens do rio Genesee, localizado no atual estado de Nova York.

Em criança, passei muito tempo deitada de costas, às vezes com outras crianças, esquadrinhando milharais ou outra plantação, à procura de minha mãe, atarefada a trabalhar ali por perto com outras mulheres de nossa tribo. Meus primeiros anos daquela vida foram repletos de perplexidade. Mesmo depois de aprender a andar e falar, eu existia num estado de completa confusão. Meu estado alienado da realidade era bastante óbvio a todos a meu redor. Meu comportamento estranho fazia com que curandeiros curiosos vindos de toda parte me seguissem e observassem todos os meus movimentos. Todos eles concluíram que eu fora tocado pelo Grande Espírito - concluíram que eu era louco.

Embora eu fosse bem-alimentada e cuidada, não conseguia resistir a pegar comida ou coisas dos outros. Se qualquer coisa desaparecia, a pessoa a quem pertencia o objeto simplesmente vinha à minha casa para reavê-la. Eu nunca escondia nada do que pegava. Colocava, para quem quisesse ver qualquer objeto que tivesse “emprestado” numa pilha ao lado de nossa casa. Não era castigada por meus atos, pois acreditavam que se eu fosse punido o Grande Espírito ficaria muito bravo com quem ministrasse o castigo.