Dor do nascimento cósmico


Primeiro, tudo era um. Depois, houve a experiência de ser rasgado, ou arrancado de uma unidade antiga. E então, veio a desorientação, a perplexidade, uma procura cega por algo a que se agarrar, uma segurança que não veio. Foi um momento de escuridão.É desta forma que vocês apresentariam isto, mas o momento em que vocês se arrancaram da fonte primordial e se lançaram no seu próprio caminho foi, ao mesmo tempo, um momento de profunda criatividade.
Vocês podem imaginar um espaço vazio e escuro, o espaço onde vocês se propagaram. Havia escuridão lá, mas também havia espaço para alguma coisa nova.
Muitos dos sentimentos que vocês tiveram no começo da sua jornada, vocês podem encontrar na imagem da criança interna perdida, da qual eu falei na última vez (veja Consciência, a canalização que vem antes desta no site).
Esta imagem da criança perdida mostra claramente as profundas feridas internas com as quais vocês começaram a sua jornada. No transcorrer dessa jornada, nas quais vocês tomaram várias formas (corpos), vocês experienciaram muitas coisas, passaram por muitas coisas e finalmente acabaram aqui, no planeta Terra.
A Terra é um lugar de grande criatividade e muitas possibilidades. Mesmo assim, apesar das possibilidades e da beleza da realidade aqui na Terra, vocês ainda sentem falta do lar. Há um sentimento de que algo não está certo, como se estivesse faltando alguma coisa, algo que é essencial para se sentir bem. O que vocês sentem que está faltando é o amor e a segurança emocional que são necessários como uma base para que todos os seres viventes cresçam, floresçam e sejam capazes de se desenvolver em total liberdade.
O que eu quero lhes pedir é que procurem, dentro da sua própria consciência, a ferida original que foi criada quando vocês abandonaram o Lar. Vocês podem encontrar, dentro de si mesmos, o lugar psíquico onde vocês se sentem arrancados da unidade original? É uma unidade primordial, que vocês não conseguem explicar com sua mente, mas que, no fundo do seu coração, vocês têm certeza que a conheceram.
Ao se voltarem novamente para a dor original da partida do Lar, vocês podem encontrar uma força substancial para curar a si mesmos. No fim das contas, ela está onde a origem da perda da sua força se encontra!
Todos vocês - aqui presentes ou lendo este texto - estão no processo de dar o passo em direção a um novo nível de consciência. Um nível cuja base é a segurança interna e a auto-confiança, e através do qual muitas novas criações serão possíveis. Vocês serão capazes de viver e criar a partir dessa nova consciência. Mas para realmente compreender este nível de consciência, é de máxima importância viajar até o âmago e as origens dos bloqueios e desequilíbrios que vocês experimentam na sua vida diária.
Nesta fase do seu desenvolvimento, é tempo não só de olhar para as dores e traumas que surgiram na sua vida presente, e talvez em vidas passadas, mas também dar um passo mais profundo. Agora é necessário voltar até a cena primordial e, logo que vocês a reconhecerem conscientemente e lembrarem dela com seu coração, é preciso que cuidem dessa sua dor interna. É hora de tomar conta dessa criança cósmica recém-nascida, que ainda está viva dentro de vocês, e não sabe para onde está voltada e não tem nenhum senso de direção.
Eu gostaria de oferecer-lhes uma forma de conhecer e trabalhar com essa dor primordial. É importante compreender que esta dor também tem uma localização física: ela está situada no abdome. Esta é a sede das emoções e dos sentimentos conectados.
O abdome geralmente é o lugar ou centro energético a partir do qual vocês formam relacionamentos com outras pessoas. O problema que muitas vezes surge aqui, é que existe uma dor no centro do seu abdome, que transcende esta vida terrena, que transcende outras vidas, e que tem sua origem no seu nascimento como almas individuais. No nível mais profundo, é a dor do nascimento cósmico. No entanto, muitas vezes vocês tentam aliviar essa dor individual, cósmica, no nível dos relacionamentos com outras pessoas. Especificamente nos relacionamentos pessoais profundos, onde há intimidade com outra pessoa, muito freqüentemente vocês tentam curar sua própria ferida interior mais profunda através da energia do outro.
Geralmente vocês reconhecem muito bem a dor no outro. Essencialmente é sempre aquela mesma dor, a que se baseia na perda da conexão e segurança primordiais. O outro freqüentemente funciona como um espelho para a sua própria dor. Em essência, vocês reconhecem a sua própria dor no rosto do outro.
Como vocês reconhecem a dor no outro mais facilmente do que a reconhecem em si mesmos, vocês começam a tentar solucionar essa dor do outro e subconscientemente esperam que a sua própria dor diminua pela presença (amor, reconhecimento) do outro.
Mas esse jogo, que geralmente acontece nos relacionamentos (sexuais), torna ainda mais difícil curar essa ferida. Porque, a partir desse papel emocional, pode se desenvolver facilmente uma co-dependência à qual os dois parceiros ficam cada vez mais amarrados. Logo que a dependência começa a se formar, também começam a surgir aspectos de poder que os afastam cada vez mais de casa - literalmente, isto é, do Lar. Sempre que vocês se apóiam no poder, vocês abandonam a sua própria força. Poder e dependência não podem viver um sem o outro.
A área de relacionamentos pessoais (íntimos) é um indicador muito importante para a conscientização da profunda dor cósmica que todos vocês carregam consigo.
Muito freqüentemente vocês sentem que necessitam da presença de outra pessoa em sua vida. Vocês supõem que a solidão é associada à falta de contato com outros e que a solução se encontra numa relação amorosa. Mas, nesta suposição esconde-se uma grande armadilha em potencial. A armadilha é que vocês estão colocando a causa da sua dor do lado de fora de si mesmos. O resultado é que, nesse papel sutil que vocês desempenham dentro dos relacionamentos, vocês responsabilizam o outro pelas suas feridas internas: vocês são a vítima. Ao mesmo tempo, vocês estão exercendo um certo poder sobre o outro, porque vocês conhecem a dor interna e a vulnerabilidade dele/dela.
O propósito espiritual do amor entre um homem e uma mulher, ou qualquer relacionamento íntimo sexual, não é o de curar as feridas um do outro. A verdadeira beleza de um relacionamento amoroso está no encontro entre dois seres completamente independentes que compartilham suas próprias riquezas um com o outro. Cada um tem sua própria forma de enxergar a realidade, sua própria forma de vivenciar as coisas. Ser capaz de compartilhar isto com outra pessoa, no nível mais profundo, é uma grande alegria para a alma.
Então, não há nada de prejudicial nos relacionamentos íntimos! Eu só quero lhes chamar a atenção para o fato de que esses relacionamentos muitas vezes são usados impropriamente para curar uma ferida que, de fato, não tem nada a ver com a outra pessoa.
Algumas vezes isto pode ser muito difícil de se compreender no nível mais profundo - compreender que, se vocês se sentem terrivelmente sós ou abandonados ou tristes, vocês mesmos estão criando essa realidade, esse sentimento. Vocês são os criadores dessa realidade interna que vocês chamam de solidão ou de sentimento de abandono.
A verdadeira solução para estes sentimentos, que são muito profundos e muito antigos, está em voltar-se para dentro de si mesmos, para dentro da verdadeira força que vocês têm à sua disposição, ao invés de se voltarem para o outro. A solução para todos os sentimentos de desespero, depressão e solidão, na sua vida, está disponível dentro de vocês mesmos, em forma energética. A solução já está lá, ela está presente na sua energia. Pode parecer que a energia da solução está escondida, no sentido de que vocês terão que encontrar a porta e abri-la. Mas, em essência, vocês são a energia Divina que tem tudo disponível dentro de si mesma para confortar a sua criança interna perdida.
O convite que fazemos a todos vocês, a cada alma individual, é que se impregnem com a sua própria divindade.
A tendência de se tornarem dependentes de outra pessoa em relação a isto é a causa de muitos desentendimentos e nunca solucionará a dor mais profunda. É por isto que é tão importante reconhecer totalmente a verdadeira fonte dessa dor, compreender que ela se encontra numa dimensão espiritual que transcende os relacionamentos, os empregos, os pais, etc. E compreender que, portanto, a solução não está no comportamento do seu companheiro, da sua mãe, do seu filho, dos seus colegas, mas pura e simplesmente dentro de vocês mesmos.
Eu ainda tenho muito a dizer sobre este assunto, mas eu gostaria de terminar por enquanto. Eu gostaria de lhes dar a oportunidade de fazer perguntas.
Pergunta 1
Às vezes eu sinto uma energia muito poderosa dentro de mim mesmo; isso é o meu poder verdadeiro, isso é amor ou alguma outra coisa?
Quando falamos sobre a grande força que existe dentro de vocês, a grande força que está à sua disposição, isto pode levar a mal-entendidos. Porque vocês geralmente associam força a poder, a algo majestoso, algo explosivo, uma coisa dominadora.
A verdadeira força dentro de vocês é uma força que todos vocês conhecem nos momentos de silêncio, na quietude. Quando tudo se relaxa dentro de vocês, quando todos os pensamentos e emoções caem como folhas no chão e tudo fica quieto, então uma certeza pode brotar dentro de vocês, um conhecimento de onde vocês estão e para onde vocês estão indo. Nós chamamos este conhecimento de força interior.
Este conhecimento e esta certeza estão fortemente associados a estar em contato com a sua fonte, com quem vocês são. Quando vocês estão em contato com o âmago do seu ser, vocês não duvidam de si mesmos. Vocês sabem que são quem são, e que não há nada do que duvidar; que não existe nenhum modelo externo a vocês mesmos que vocês tenham que seguir, que vocês simplesmente são quem são, em toda força e beleza que pertencem a vocês.
Em tais momentos de contato interno, de conhecimento interno, há poucos pensamentos e emoções. Existe apenas esta sensação forte de ser e saber.
E este sentimento também se origina no abdome. É um sentimento que vem do âmago do seu ser e está presente por trás dos seus pensamentos e emoções. É a força tranqüila, embora grande, que vive dentro de todos vocês. Essa é a sua conexão direta com Deus e, ao mesmo tempo, com o seu ser mais profundo.
No seu próprio centro divino, essencial, vocês são completamente indefinidos, não ligados ao corpo, ao caráter, ao seu nome, ao seu sexo, etc. Quando estão em contato com esse centro, vocês estão conscientes do puro ser. Tudo está aberto. E, ainda assim, ele também é único. São vocês que estão ali.
Pergunta 2
Em um relacionamento, como eu posso saber se estou trazendo partes mal resolvidas de mim mesmo (que eu deveria trabalhar através de mim mesmo), ou se realmente estou trabalhando no relacionamento?
Quando você percebe que sentimentos de medo estão surgindo no seu relacionamento com outra pessoa, você deve prestar muita atenção nisso. Porque, quando o medo está presente, é um sinal de que você sente a necessidade de mudar alguma coisa, ou de se agarrar a alguma coisa ou de encaminhar alguma coisa numa determinada direção.
Sentimentos de medo sempre são um sinal de que você está temendo perder uma parte de si mesmo. No entanto, você nunca pode perder uma parte de si mesmo, sem dar permissão para isso. Não é o outro que está tirando algo de você. É você que está criando o medo da perda.
Os relacionamentos geralmente são uma mistura de puro amor - onde você deixa o outro ser livre e aceita o outro - e sentimentos de medo, onde aspectos de poder e dependência tomam parte.
Para perceber onde você deixa que suas feridas internas subconscientemente tomem parte no relacionamento, é muito importante estar atento aos momentos e situações nos quais você sente medo, dentro do relacionamento. E quando você se conscientiza disso, você pode olhar profundamente para essa parte de si mesmo. Ou seja, quando você está num conflito com o outro e se conscientiza que está falando a partir de um medo interno que não tem nada a ver com o que o outro está dizendo ou fazendo, responsabilize-se por esse medo, reconheça-o como algo que pertence a você e é separado do outro. Volte a sua consciência para dentro de si mesmo e veja qual é a dor que está dentro de você, e dê a si mesmo aquilo que você precisa. Veja isso como um problema que só você mesmo pode e deve resolver.
Isto não significa, de maneira nenhuma, que você deve terminar o relacionamento e ir viver sozinho. A questão é criar clareza num relacionamento. Quando você se responsabiliza por suas próprias emoções (negativas), você pode comunicar essas emoções fácil e abertamente com o outro. Se o outro lhe der espaço para fazer isso, é sinal de que existe uma boa base para um relacionamento curador.
Eu já falei que a meta de um relacionamento não é um curar as feridas do outro. Entretanto, um relacionamento no qual ambos os parceiros se responsabilizam e se estabelecem como indivíduos independentes, será um relacionamento curador. O amor recíproco tem uma propriedade curativa.
Num relacionamento amoroso, os dois parceiros amam e respeitam a si mesmos. Inclusive, neste tipo de relacionamento, o outro espelha os aspectos de você mesmo. O amor que você dedica a si próprio é ampliado e nutrido pela presença da outra pessoa. Esta é uma propriedade inspiradora.
Portanto, a questão vital não é que você não deva receber a cura do outro, mas que você não se torne dependente disso.
E quando você sentir que os seus medos estão aflorando - inclusive na forma de ciúmes, raiva, frustração, expectativas - fique atento e perceba a dor ou a ferida interior que está por trás disso e que é, em essência, de sua responsabilidade. Com certeza o outro pode tocar essa dor com certos tipos de comportamento, mas é muito importante não se deixar seduzir pelo papel de vítima. Continue reconhecendo a dor como criação sua. Esta é a maestria.
Pergunta 3
Ao irmos ao encontro dessa ferida, dessa dor profunda dentro de nós mesmos, muitas vezes nos deparamos com a raiva a respeito do porquê. Será que isto está relacionado com se perguntar, afinal por que a ruptura aconteceu? Você poderia falar alguma coisa sobre essa raiva?
A raiva que vocês podem sentir, nesse contexto, é a raiva da própria vida.
A raiva da dor do nascimento - ou seja, a raiva de terem tido que passar pelo sentimento de terem sido dilacerados internamente - é, em essência, uma manifestação de impotência. Vocês se sentem muito pequenos, solitários e vulneráveis, e sentem que alguma coisa muito injusta lhes aconteceu. Vocês sentem que não mereciam uma jornada tão escura e difícil.
O problema é que, quando vocês sentem essa raiva, vocês estão em um nível de si mesmos, em que vocês ainda são a criança perdida, a criança que foi procurar e não encontrou nenhuma saída. Essa criança ainda está aí. Mas, nesse nível, vocês não vão encontrar nenhuma resposta. É mais do que lógico que essa criança esteja muito brava, pois ela não entende o que está acontecendo.
A resposta a essa raiva está em um outro nível da sua consciência. Porque vocês são mais do que esse pedaço perdido dentro de vocês! Existe um nível dentro de vocês, onde vocês podem sentir que vocês são mais do que essa criança perdida e impotente.
No lugar dentro da sua consciência, para onde vocês podem levar essa criança, vocês são mais do que essa criança. Lá onde vocês abraçam a sua dor com a sua consciência, vocês deixam que ela exista e aceitam-na. E ao fazerem isso, vocês transcendem o problema. Vocês são mais do que a dor. Inclusive será possível sentir que existe uma razão para o seu nascimento como alma e para a sua jornada através do tempo, do espaço, da ilusão e da escuridão (ignorância).
É impossível explicar essa razão com a mente. Isto é algo tão profundo, que vocês só podem entendê-lo de dentro daquele lugar de força, quieto e pacífico, sobre o qual já conversamos - o conhecimento silencioso, que transcende o pensamento e a emoção. Queremos lhes pedir que viajem para esse lugar e que sintam que existe um nível dentro de vocês onde vocês concordaram em partir para essa jornada, e carregar essa dor.
Neste estágio do seu desenvolvimento, é difícil perceber totalmente que resultados positivos a sua jornada poderá lhes render. Talvez possamos ilustrar isto através de uma metáfora.
Imaginem o estado primordial de ser, do qual vocês vieram, como uma nuvem branca, uma nuvem fofinha, onde tudo está entrelaçado. Tudo é macio e uno, mas também um pouco pálido. Imaginem agora pequenas sementes caindo dessa nuvem e atingindo o solo. Esse é o momento em que vocês saíram desse estado primordial de ser, como seres individuais em seu caminho através do espaço vazio. As sementes germinaram, gerando plantas e flores. Sua viagem através do novo e desconhecido possibilitou a germinação de coisas na criação (a soma total de tudo que existe) que não eram possíveis antes, que não existiam e nem poderiam ser criadas.
Para que seja possível a verdadeira criatividade, é preciso que existam consciências individuais que sejam capazes de conhecer a si mesmas como separadas dos outros seres. Só assim pode existir a diferença. Quando tudo é um e conectado, as coisas tendem a se tornar estáticas. Quando existem diferenças, a diversidade pode florescer.
Vocês podem imaginar a meta da sua jornada como um jardim em plena floração, com muitos diferentes tipos de flores e plantas, que juntas formam um todo conectado (como os níveis físico e espiritual). Comparem a diversidade e riqueza desta imagem com a imagem da nuvem primordial - a nuvem meio desbotada, que carrega uma situação primordial de segurança, mas também uma certa uni-dimensionalidade, uma espécie de planura... É difícil expressar isto direito.
Assim que vocês começarem a curar a sua dor do nascimento e liberarem a raiva relacionada a ela, vocês poderão experienciar a beleza que está começando a florescer dentro de vocês. E isto - a experiência dessa beleza e riqueza - é o propósito da sua jornada. Então, a escuridão já não será mais sem sentido, mas será vivenciada como algo que oferece uma contribuição importante à Criação.
É difícil de explicar isto de um ponto de vista que está acima da experiência. É preciso que se vivencie que a escuridão e a dor podem ser forças criativas. Isto torna-se disponível para vocês, quando vocês começam a aceitar a escuridão como algo que existe, sem querer lutar contra ela ou expulsá-la.
Logo que vocês perceberem sentimentos de raiva, é importante que vocês os aceitem completamente e logo se retirem para o centro silencioso dentro de si mesmos, do qual falamos anteriormente. Pode ser útil visitar a natureza, ou algum outro ambiente inspirador, onde vocês possam respirar o silêncio, por assim dizer. Nesse silêncio, sua raiva se dissolverá, sem que vocês tenham que expulsá-la.
Pergunta 4
Quando estou só, acho mais fácil permanecer na minha própria força ou quietude. Mas quando estou com outras pessoas, geralmente sou levado por um senso de pequenez, um sentimento de ter que defender minhas idéias e coisas assim.
No momento em que você se sente ferido pelo que outra pessoa fala ou diz, passa por você uma onda de energia que possui uma característica velada de medo. Essa onda tira a sua energia do seu centro. A sua consciência mergulha nessa onda, por assim dizer, e então você se identifica com esse medo.
É importante reconhecer esse mesmo medo por trás de todos os incidentes desarmônicos com pessoas (comentários ou acontecimentos) que ocorrem a todo momento. Se você conseguir fazer isso, você trará o problema de volta à simplicidade e isso é muito importante. Quando um problema parece muito complicado, é porque, na verdade, você está lidando com os detalhes, num nível superficial. Procure sempre sentir a emoção subjacente ou o sentimento predominante que está no âmago dos incidentes. Você sente um certo desassossego ou nervosismo nessas situações. E inclusive raiva, porque as suas intenções não estão sendo perfeitamente refletidas nem percebidas pelos outros.
No momento em que você se sente ferido pelo outro, você enxerga o mundo e a si mesmo do ponto de vista do outro, e então você diz: Isto não está certo. Você se sente inquieto, zangado e, algumas vezes, confuso, porque existe um retrato de você no mundo, que não está de acordo com a sua perspectiva interna.