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Os Agrotóxicos Estão Matanto
Recente levantamento promovido pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), confirmou a presença de substâncias cancerígenas, contidas em princípios ativos utilizados em mais de 200 produtos agrotóxicos usados no País. Essas substâncias, combatidas pelos riscos de produzir câncer, já são proibidas nos Estados Unidos, Japão, Canadá e países da Comunidade Européia. No Brasil, a Anvisa enfrenta as implicações do poderoso mercado, com giro anual de US$ 7 bilhões, a desinformação e incompreensão para com os problemas de saúde pública, resultantes da liberalidade no uso dessas substâncias. A batalha agora está sendo travada no âmbito da Justiça, com respaldo do Conselho Nacional de Saúde e da Advocacia-Geral da União.

Os riscos da presença dos princípios ativos do acetato, endossulfam e metamidofos se comprovaram em amostras recolhidas para análises de abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho, tomate e uva. O pimentão liderou o grupo contaminado, com 65% de suas amostras sendo consideradas insatisfatórias. Em escala decrescente surgiram, com maior grau de comprometimento: morango (36%), uva ( 32%) cenoura (30%), alface (20%) tomate (18%), mamão (17%) e laranja (14%).

Entretanto, há no estudo da Anvisa um grupo maior, com 14 princípios ativos, como fonte de incidência de câncer, entre eles, abamectina, carbofurano, cihexatina, forato, fosmete, glifosato, lactofem, paraquate, parationa metílica, tiram e triclorfom. De todos eles, até agora, apenas a cihexatina foi retirada do mercado brasileiro, devendo ser banida até 2011. Os demais estão presentes em produtos utilizados para combater as pragas originadas no agronegócio. Os registros estatísticos sobre ocorrências médico-hospitalares apontam como primeira causa de intoxicação os medicamentos. Em segundo lugar, estão os agrotóxicos, sem haver mecanismos para proteger os consumidores contra o uso generalizado dessas substâncias resultantes de práticas arcaicas entre os produtos hortifrutigranjeiros. As primeiras vítimas são os aplicadores desses venenos. Depois, o meio ambiente, resultante da falta de recolhimento das embalagens lançadas, a granel, na Natureza contaminando os solos e os cursos d’água.

A solução racional para um problema dessa ordem encontra-se na agricultura orgânica certificada, cultivada sem quaisquer usos de agrotóxicos. A mudança qualitativa nos tratos culturais depende, preliminarmente, do convencimento dos produtores rurais sobre os novos métodos de plantio, colheita e comercialização de sua produção. Depois da divulgação para os consumidores dos efeitos benéficos de alimentos sem contaminação tóxica. Essa é uma tarefa para a educação ambiental.

A produção agrícola de gêneros de consumo humano e animal deveria ser totalmente orgânica, evitando-se, na origem, qualquer patologia originada na cadeia de consumo de produtos agrícolas. Enquanto continuar a idéia de aplicar veneno para erradicação de pragas agrícolas, torna-se difícil alcançar um padrão sanitário de qualidade saudável. Por enquanto, o poder público tem sido derrotado na luta contra o veneno nos alimentos.

Fonte: Diário do Nordeste